٭ Spica ٭

Não teve um único dia em que eu não pensei em você. Um mísero dia em que você não fez parte dos meus pensamentos me causando dor.

Eu treinei muito pra quando nos víssemos de novo. Eu sabia que esse dia chegaria. Treinei, rezei pra ter forças, idealizei, mas quando aconteceu eu só consegui fugir. De você, do seu sorriso, da sua presença. Eu só consegui fugir porque eu não conseguiria nada mais perto de ti. Dois passos a mais e eu não poderia me segurar, você sabe disso. Eu percebi que ainda te amo mais do que meu coração aguenta.

Procurei Júpiter no meu último dia em São Carlos. Provavelmente tu nunca vai saber disso, mas eu procurei. Meus amigos ficaram irritados, não souberam me mostrar qual a estrela mais brilhante. Eu chorei.  Senti falta… de ti e do dia que você todo paciente me mostrou as constelações e junto disso escolhemos aquela que seria a nossa estrela. Do ladinho de Júpiter. Eu não a vi, mas rezei por ele e por nós, e a energia que senti foi tão forte. Tudo voltou num baque só. Eu procurei por você na multidão, porque quis te falar que eu te perdoo.

٭٭٭

Dois meses depois, eu ouvi sua voz novamente. Numa ligação descompassada, errada, dolorosa. Eu te contei a verdade e doeu muito. Mais me mim do que em você. Ouvir seu choro… Eu não sabia se aguentaria muito tempo. Quis fugir de novo, mas não pude. Sua presença preencheu tudo por pouco mais de 40 minutos, e foi o suficiente pra trazer tudo de volta. Com força máxima. Eu te amei como nunca e percebi que sem você estou incompleta. Que você é o motivo maior de eu não conseguir mais sair e me interessar por ninguém. Eu mudei pra sempre de um jeito irremediável, irreparável. Dói saber que nunca mais seremos um do outro, que as escolhas que eu fiz naquele quatro de outubro vão refletir pra sempre na tua vida e na minha também. Não podemos ser. Eu escolhi isso de forma espontânea e certeira. Acho que no fundo sabia que sendo tua, não poderia ser eu mesma. Então eu fiz o boletim de ocorrência. E te contei com toda covardia do mundo, porque foi isso que eu me tornei. Fui firme como nunca havia sido contigo. Eu espero que você me perdoe. Eu acho que não te perdoei ainda.

٭٭٭

Uns bons meses se passaram. Eu não sei de mais nada que envolva sua vida. Nosso último contato foi tão rápido e confuso que eu ainda não assimilei. Fui grossa e me arrependo muito. Acho que tu nunca vai saber o turbilhão de coisas que acontece quando você volta, da forma que for. Por isso eu tento te manter longe, toda vez. Eu ainda não sei lidar.

Eu sei que daqui uns meses nos veremos novamente. Sei também que vai doer muito. Como sempre dói quando eu penso ou falo de ti. Mas… você sempre disse pra eu ser forte. Eu tenho tentado ser. Não é fácil, mas as coisas estão caminhando. Um dia após o outro eu tenho tentado seguir cada um dos seus mil conselhos. Você foi um dos anjos que eu tive o privilégio de conhecer e rezo para que um dia possa me perdoar. Tudo que eu fiz, daquele último dia em diante foi pensando em mim, como você sempre me disse pra fazer. Eu denunciei nessa intenção. De superar o insuperável. Não adiantou muito, mas meu coração pôde ficar em paz. Tu entende? Eu te expliquei naquela ligação difícil, mas acho que é uma das mil coisas que vão sempre ficar confusas entre nós.

Foi por mim, só por mim.

About time

Somos feitos de erros.

Li isso certa vez.

Achei que nos definiu muito bem.

Nós de fato, somos feitos de erros.

Em um intervalo minúsculo de dois meses conseguimos estragar tudo que nos foi dado pela vida.

Você se arrepende?

Eu acho que não.

Eu me arrependo.

Mas você já sabe disso.

Eu me arrependo e não entendo. Não entendo nós e esses nós que se formaram depois que nos separamos. É tudo confuso e arbitrário. Acho que nunca vou aceitar direito o que houve, por mais que a gente já tenha acertado os pontos mil vezes. Eu defini uns dias atrás que te odiava. Odiava muito. E que você não merecia meu perdão. Mas hoje acabei sentindo sua falta. As saudades as vezes aparece sem avisar né? Eu pensei muito em ti, naquele nosso último dia, nas estrelas que eu nunca mais consegui achar. Me dei conta que eu talvez tenha estragado tudo com toda essa história, mas que disso não me arrependo. Sei que estou fazendo isso por mim, somente. Eu até me permiti ficar um pouco feliz, apesar das saudades imensas que invadem meus pensamentos hora ou outra.

A gente sabia que se perderia dessa forma?

Hoje eu refleti como há tempos não fazia. Lembrei das promessas que foram em vão.

Lembrei do quanto sofri quando você foi embora. O quão foi difícil te olhar partindo, naquele metrô cheio, sabendo que não nos veríamos mais, nunca mais.

Lembrei que prometemos nos falar em todos os natais, daqui até a eternidade, e que provavelmente esse vai ser o primeiro de todos combinados que não vamos cumprir.

O quanto eu te quis de volta, junto com as ligações e os carinhos… E me dei conta que sua presença que me manteve viva naqueles dois meses de horror. Tu foi mais que meu amigo, você sabe não?

Por outro lado, eu nunca cresci tanto como quando paramos de nos falar. A dor foi tão grande. Eu quase não levantava da cama… Ai parei de responder suas mensagens, tentei ignorar sua existência mas chorava todos os dias de saudades. Achei que nunca mais passaria por algo igual. Não acreditava que um dia fosse ficar em paz de novo.

Hoje eu senti saudades de alguém tão sábio me aconselhando…

Eu quase pude me arrepender pelo que fiz com você.

Se eu te encontrasse eu te diria todas as coisas das quais não falei desde que nos vimos pela última vez. Eu te falaria que você me deu um dos grandes presentes da minha vida. Que sempre lembro de você com carinho, ainda que seja em segredo. Que não me importo com o que os outros pensam. Que eu ainda te procuro com o olhar quando vou na rodoviária, que deveria ter respondido sua ultima mensagem, que você é uma das melhores coisas que já me aconteceu. Você me fez crescer como ninguém. Eu devo tanto da minha maturidade a você. Te pediria desculpas por não mandar mensagem no natal e pelo processo iminente que vamos passar em 2017.

A vida seguiu sim. Mas de uma forma tão imprevisível que está cada dia mais dificil.

As vezes eu fico pensando se algum dia eu vou superar…

Você continua me dando forças. Eu sinto. Acredito muito nas coisas boas que estão pra acontecer contigo daqui pra frente. Peço perdão por todas as ruins. E queria que você soubesse que eu te amo muito, por mais que não pareça.

Mas me amo em primeiro lugar.

.

“A solução é ficar de pé e não olhar pra trás.

Todo mundo sabe o que é melhor pra si.

Da sua mão posso me soltar, vai ser melhor assim.

Deixa o tempo te acompanhar.

A tua ausência é quase um favor.”

 

Sobre café e você

Nós podemos mudar o futuro? Alterar cada passo do que vivenciaremos, daquilo que estamos caminhando?

Uma vez ouvi numa aula algo como se um dia pudêssemos mudar o passado ou deixa-lo intacto, tal escolha expressaria o que somos no presente.

Nossas escolhas dizem nosso caráter. Eu escolhi coisas das quais não estava pronta, já te disse isso?

Não há um dia que não pense em ti.

Mas…

Há um dia que tu não pense em mim?

Eu sei a resposta.

Eu me considero uma pessoa de sorte. Te encontrei perdido por aí e mudei. Pro bem ou pro mal, eu mudei, não há como negar. Há passos falsos em meu caminho hoje, eu vou andando aos tropeços, tentando me lembrar de suas palavras, pois elas fogem da memória cada vez mais.. tentando lembrar do seu sorriso, de como você me ensinou tanta coisa e como eu prometi pra mim mesma que nunca esqueceria de ti.

Eu te magoei, eu sei. Escolhas que definem nosso caráter…

Eu precisava tanto de você nesses dias difíceis, que pensei por um segundo em te ligar. Só ouvir sua voz, respirar um pouco contigo durante uma ligação. As coisas são mais complicadas do que imaginamos, não? Eu prometi te contar sempre que as coisas forem meio impossíveis, mas e quando as coisas se tornam rasas, superficiais?

Eu rezei ontem. Por ti, por nós, por ele. Tu sabe, né?

Eu te amo e sinto saudades mais do que do seu beijo, abraço e carinho. Eu sinto saudades da sua sobriedade em conversar, da sua disposição, da sua razão. Tu sempre sabia o que fazer, sempre. Eu sinto falta disso. Desse norte que tu sempre me deu.

Eu precisei de você diversas vezes, me tornei dependente, porque sozinha é foda decidir as coisas. É foda sacudir a roseirinha, as coisas ficam perdidas e meu cérebro é só confusão. Eu queria que as coisas se encaixassem melhor.

Lembro de Junho do ano passado, que tudo era tão complicado, nossa situação e etc, e qualquer coisa que você fazia me deixava bem. Eu lembro como eu queria que tudo passasse e quando passou eu quis que tudo voltasse.

Fiquei meio dependente de ti e isso não passa nunca.

Você acha que é possível mudarmos as pessoas?

Que um dia elas acabam parando de nos magoar?

Eu perco a fé cada dia um pouco mais. Pensei hoje que eu tenho vivido só por viver. Perdi tudo que havia dentro de mim de lá pra cá, e to num vazio enorme. Eu queria te interpretar melhor, como diz a música.

Será que um dia conseguirei respirar direito quando olhar pro céu?

Tudo isso é sobre o tempo que passamos juntos.

Eles não saem de mim nunca.

É sobre a força que eu deixei de ter quando tudo acabou.

É sobre eu querer de volta aquilo que é impossível.

É sobre eu não ter superado e ter tentado superar com as escolhas erradas.

É sobre eu ter sido grossa da última vez que nos falamos.

É sobre eu ter te desejado mal em vários momentos.

É sobre eu estar perdida.

É sobre eu querer você bem, mais do que nunca, mais do que tudo.

É sobre eu ter rezado por ti hoje, ontem e sempre.

É sobre eu querer ouvir tua voz, e essa vontade ser insuportável.

É sobre eu não ter pra quem dizer todas essas palavras e não poder falar contigo, porque um processo corre ai e estamos judicialmente impedidos de conversar.

Me desculpa por isso.

Eu te escrevo sempre, mas nunca mando. Um dia nós dois seremos só uma lembrança aqui e essas palavras se tornarão nulas. Você tem medo disso?

Eu tenho medo de te causar mal.

Eu queria que você ficasse bem.

Eu sinto que estou ficando um pouco mais apática a cada dia que passa. Que estou perdendo cada vontade e desejo de fazer as coisas, eu sinto que só você poderia trazer tudo de volta, mesmo que nada possa voltar.

Eu falo muito de passado, sempre. Eu vivo do que passamos. Em breve vai fazer um ano, né?

Você promete ser feliz? Eu quero que você seja.

Promete se formar, ter uma família linda, continuar com esse sorriso?

Eu prometo te olhar de longe, te cuidar de longe, torcer por ti.

Prometo estar aqui, forte, do jeito que você quis que eu ficasse. Prometo tentar todos os dias de minha vida superar sua passagem. Prometo.

Júpiter tá lá. Eu te disse que consegui finalmente encontra-lo? Eu olho para ele todos os dias.

Estamos juntos, mesmo que longe. O céu é o mesmo afinal.

Estamos juntos. Cê sabe.

Eu te amo mais do que a minha própria vida.

Espero que um dia possa me perdoar.

Memories of you

Eu não estou pronta.

Não agora, e acho que não vou estar nunca.

Lembrar de ti já é rotina. E eu acho que me arrependo um pouco. Você me perdoa? Eu já cansei de te escrever isso…

Lembrar da nossa cumplicidade machuca. Quem mais me ligaria as 2 da manhã todas as noites? Quem me responderia as coisas mais loucas, nos horários mais imprevisíveis?

Tu tem um coração bom.

É puro, sabe? Você é doce. E eu fiz tudo errado.

Eu só queria que você pudesse me perdoar. Um dia por aí. Sei que vamos envelhecer separados e que possivelmente eu nunca mais saberei nada de ti. Minhas escolhas em outubro do ano passado refletem isso e eu sei que foi a decisão certa a ser tomada a longo prazo. Mas… ainda vou sentir sua falta. Como quando olhamos para aquele céu lindo de São Carlos, puta que pariu, que saudades. Eu sabia que tudo acabava ali, e essa sensação não morre nunca. Tudo acabou aqui. Eu não sou mais pra você a pessoa que tu amava, cuidava, apertava nos dias frios. Se eu soubesse do futuro… Teria te abraçado mais. Teria aproveitado nosso último dia. Teria visto as estrelas por horas. Eu sinto tanta falta delas. Assim como sinto falta de você, do seu beijo, paciência, carinho excessivo, humor, inteligencia… Sinto falta de tudo. Em dias assim é difícil dormir, mas você entende né?

Eu que já escrevi tudo possível pra ti, ainda sinto que as palavras soam pequenas. Meu amor não passou, ainda bem. Eu ainda te amo muito, amo aquele que foi nosso, e sinto falta – muita falta. Espero que tu fique bem todos os dias da sua vida, que consiga seguir em frente de um jeito que eu nunca consegui.

Espero que a minha memória nunca me traia e nunca me deixe esquecer dos seus olhos e sorrisos. Do sabor do seu beijo. Vou amar vocês pra sempre.

 

 

2016!

“Já não sei se é saudade
Ou o costume de pensar em você
Todo momento bom me traz seu rosto
E é impossível não perceber
O que sinto…

Eu vou levando, eu vou vivendo, eu vou sorrindo, eu vou chorando,
Eu vou te vendo de longe, eu vou te olhando de longe
Só pra saber se vale a pena ficar por aqui ou se eu vou embora”

2016 foi conturbado. Um ano de despedidas.

Eu me despedi das aulas da graduação! Tive minha última aula em novembro, e a partir de agora só vou ter atendimento na clinica, supervisão e TCC.

Eu me despedi de vários pacientes. Carlinhos, Duda, Eric. Espero que continuem evoluindo.

Eu me despedi de traumas do passado.

Me despedi daquele que foi meu último erro.

Eu vou sentir falta de 2016.

Das pessoas que conheci.

De quem eu traí quando tomei decisões.

Não me arrependo.

Mas ainda dói.

Não tenho expectativas pra 2017. Espero que o processo acabe bem. Não sei o que realmente quero que aconteça quanto a isso, mas a decisão que for tomada pelo juiz será bem vinda. Eu lavei minha alma quando denunciei. Isso nenhuma sentença anulada pode tirar.

Eu vou me formar em 2017! Tenho medo do que vai acontecer quando dezembro chegar. Das responsabilidades, formatura, incertezas. Tenho medo do TCC, dos relatórios finais, da pós graduação que eu pretendo já fazer. Mas to confiante! Nenhuma DP até hoje, meu ritmo será mantido.

Juju meu parceirinho, since 2009, continuará do meu lado, pro que der e vier. Não há dúvidas.

Eu to feliz. A vida segue pra mim, afinal as contas vão chegar…

Vem com tudo 2017!

A future letter

[Escrito 09/07/2016]
Oi V. do futuro :)
Não faço ideia de quando você vai ler isso. Não mesmo. Não sei nem se vou ter coragem de enviar, mas se você receber, é porque fui louca o suficiente.
Hoje é sábado. Uma semana depois do ocorrido que mudaria nossas vidas pra sempre. Eu sei que mudamos muito depois de tudo. Fico imaginando se foi pra melhor ou pra pior. Se a lição que levamos disso tudo foi positiva ou negativa. Me pergunto se a gente ainda se fala (eu tenho quase certeza que não), e se você ainda pensa em mim…
Eu acho que eu ainda vou pensar em você.
Você foi uma coisa louca que eu nunca vou entender direito. Você entrou muito rápido na minha vida, modificou tudo e mais um pouco e assim como chegou, partiu. Naquela última noite em São Carlos eu chorei muito. Não dormi quase nada porque a perspectiva de viver uma vida pós V. era muito desafiadora. Você me ensinou um trilhão de coisas e colocar tudo em prática parecia muito assustador na hora. Confesso que ainda é. Durante muito tempo você era quase um guia pra mim. Suas ligações a noite me faziam levantar da cama, sorrir um pouco, tomar banho e viver um pouco a vida fora do meu quarto. Eu me sentia bem falando com você. Nunca deixei de sorrir mesmo quando a gente brigava. Eu sabia que podia contar contigo, e você sempre me fez muito bem, inclusive nos momentos difíceis. Então te perder e perder todo o resto foi como se uma parte minha tivesse partido pra sempre. Eu me senti nos primeiros dias totalmente incompleta. Eu sabia que teríamos que parar de nos falar uma hora ou outra. Nossas obrigações juntos tinham cessado naquele pior banho do mundo, mas foi difícil mesmo assim lidar com tudo. Meu lado emocional é traiçoeiro. Veja bem, eu soube desde muito cedo que isso ia acontecer. Sabia como eu possivelmente ficaria. Eu me preparei pra isso. Montei todas as guardas possíveis. Evitei pensamentos. Guardei tudo que eu sentia ou pudesse sentir. Mas não tem como né? Sempre fui a pessoa mais emocional que eu já conheci e você me ganhou desde o começo. Eu sabia que não poderiamos seguir em frente com isso, Vi. Que isso não seria bom pra você, pra mim e pra mais ninguém. Eu soube disso desde o dia em que te liguei chorando no meio do meu almoço. Mas eu queria mais que tudo. E sua falta aqui torna tudo mais intenso. Eu não sou boba, sabe? Sei que vou superar. Sei toda a teoria por volta do luto e conheço a mim mesma. Só que… não passa nunca. E olha, eu to sendo bem tonta porque só faz uma semana, mas juro que uma semana nunca demorou tanto pra passar. Eu me pergunto, se ao receber esse email eu não vou me sentir tão idiota por ter escrito essas coisas, e pensar ‘meu deus, como a Carol do passado era dramática e exagerada’. Eu tenho certeza que vou pensar algo do tipo hahaha. Mas se to escrevendo, é porque eu não quero nunca esquecer disso. Sei que não vou esquecer, mas que sirva de lembrete, né?
Eu fico idealizando. E sinto falta. Já disse isso lá em cima, mas eu sinto muita falta Vi. E as pessoas me dizem o tempo todo que foi melhor assim. Mas… não seria egoismo? Foi tudo tão egoísta da nossa parte, Vi. Eu queria ter sido mais forte, já te disso isso. Eu vou sentir essa falta pra sempre.
Apesar de toda loucura, eu agradeço muito tudo que você fez por mim. Você é uma das pessoas mais doces que eu tive o prazer de encontrar por ai. Você sempre me fez feliz, mesmo tudo estando perdido. Me acalmou de diversas formas, se esforçou pra me conhecer e estar comigo do jeito que eu precisava, nas horas certas. Eu confio e confiei muito em você em todos os momentos. Eu amei você durante muito tempo e amo você mais do que nunca agora. Não é nada platônico. Acho que é o tipo de amor que a gente sempre vai ter por alguém que modifica tanta coisa na nossa vida. Não tem como não amar. Inclusive, não tem como não se apaixonar por você. Não convivendo contigo do jeito que eu convivi. Seu sorriso iluminava tudo, eu já disse isso? Sei que não. Mas iluminava. Pelo menos pra mim. Te ver sorrindo enquanto fazia alguma coisa besta, tipo fritar batata frita, melhorava meu dia 100%. Eu já escrevi isso em outra carta, que espero enviar em breve, mas seu beijo sempre me entristeceu porque eu sabia que era único. E sendo único, eu não encontraria em nenhum outro lugar no mundo. Uma das coisas que me mais me acalmavam nos dias de crise eram sempre seu sorriso, seu beijo e só você. Pra mim sempre foi tudo tão simbólico. Não tinha nada entre nós que fosse palpável. Não eramos amigos reais. Não tínhamos nenhum tipo de conexão sólida, então eu me agarrei a qualquer coisa com significado subjetivo que pudesse existir. Eu não devia nunca ter me apaixonado por ti, mas aconteceu. De uma forma bem sutil, devo dizer. Não é como se eu tivesse ficado louca de paixão, porque veja bem, eu estou bem sã nesse momento. Eu me apaixonei porque você sempre tinha uma solução. E sempre fazia coisas além do necessário, pelo simples fato de você ser assim. Eu acho que nunca vou conseguir entender de forma muito clara. Me desculpa por isso.
Sei que ainda vou desejar todas as coisas boas pra ti, seja lá quando você ler isso, então não vou ser repetitiva, ok? Você com certeza ainda vai estar nos meus pensamentos. Nas minhas orações e sempre que ver o céu e as estrelas, vou lembrar de nós dois no meu último dia em São Carlos. Não importa o tempo que passar.
Seja feliz Vi.
Eu amo você(s). 
Beijão,
C.
[Pensei em censurar um trilhão de coisas. Mas é ele. E ele representa muita coisa que em 5 anos de blog nunca representaram antes. A carta foi programada pelo https://www.futureme.org/ a ser enviada no dia 25/12/2016, porque eu prometi falar com ele em todos os natais da minha vida, pela eternidade. Ele sempre se preocupou com essas coisas e eu o amo muito por isso. Eu sei que jamais poderei supera-lo, mas a vida vai seguir seu curso natural. Eu agradeço todos os dias por te-lo conhecido, e aprendido tanto ao seu lado. Não foi coincidência que tenha sido ele. Ainda bem.]

Fade

2.10.

Eu te disse que fiz uma tatuagem pra me lembrar desse 2016 difícil? Pra me lembrar da cidade que mais me viu chorar, que eu mais amei dentre todas que visitei, porque você estava lá o tempo todo…

Eu te disse que esses dias vi uma foto sua e o coração doeu menos do que o esperado?

Eu to te escrevendo hoje pra aliviar um pouquinho das saudades que eu sinto todos os dias. Eu lembro de você todas as manhãs e noites. Eu lembro das ligações, das risadas, das brigas. Eu lembro do aperto que dava cada vez que uma mensagem sua chegava por aqui, ou de ir pro Tietê morrendo de ansiedade, sabendo que eu levaria 4 horas pra te ver sorrindo naquela escada de São Carlos, mas que valeria a pena cada segundo até lá. Lembro também da última vez que peguei aquele ônibus e como foi difícil cada passo que dei. Faltava ar e eu liguei pro meu primo porque sozinha eu não conseguiria ir… Comprei tudo de inútil que podia me distrair porque eu não queria fazer aquele caminho pela última vez. Adiei o máximo. Chorei tudo que podia, mas fui. Essas memórias ainda me fazem chorar. Puta que pariu como foi difícil fazer aquele percurso de ida e mais ainda o de volta… Mas valeu a pena, né? Eu acredito que sim. Repito que te conhecer foi uma benção. Você me ensinou muito. As saudades que ficaram são consequências de algo muito bom que aconteceu.

Eu não quero te esquecer, Vi. Tenho medo de daqui um ano suas memórias não fazerem mais sentido pra mim, assim como aconteceu com os outros amores, porque você foi tão diferente. Eu tenho medo de algum dia acordar e sua lembrança não me encantar… Será que daqui uns anos seu sorriso ainda vai me fazer sorrir?

Eu não sei mais sobre quem eu sou ou quem eu fui durante o tempo em que fomos. Eu queria saber um pouco mais sobre quem eu vou ser daqui uns meses e anos. Eu te amo Vi. Isso é tudo que eu sei hoje.

“I hope for rain to wash us clean
And make a brand new start
For both our tired hearts”

Eu te amo, Vi. Nunca vou cansar de escrever isso.

 

Even if u walk away from me I’ll still be with u

25/07/2016

É minha última semana de férias.

É a última semana de férias e eu ainda não deixei de sentir saudades de você.

Eu sinto tanto que nosso elo tenha se perdido. Que as promessas tenham sido em vão e que a gente realmente tenha sido só mais duas pessoas que se encontraram por aí e se perderam ao longo do caminho. Eu acreditei com toda força que continuaríamos amigos. Nos primeiros dias, a dor era quase insuportável. Suas mensagens pioravam tudo. Então eu dificultei as coisas pra você porque era impossível ver seu nome apitando no celular, relembrar de tanta coisa e me arrepender mil vezes por ter te deixado partir. Aos poucos elas deixaram de chegar e o sentimento que ficou machuca e me lembra que nos perdemos, erramos e estou só.

A vida pós você seguiu o caminho que você previu. E nem fez um mês ainda. Eu não consigo mais olhar o céu a noite, mas já saio de casa tranquilamente sem precisar te contar em forma de comemoração. Eu estou seguindo em frente, assim como você disse que eu faria. Você sempre soube tanto das coisas, que sem você todos os rumos que eu tenho tomado são confusos.

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Hoje 24/08, posso dizer que as coisas modificaram um pouco, mas não o suficiente para que eu deixasse de escrever pra ti.

Domingo você mandou uma mensagem…

“eu vim falar com você, porque queria saber como andava as coisas, ando acompanhando você de longe, por foto e tudo, reparei que tava saindo e indo pra faculdade, ai fiquei meio longe pra não atrapalhar, não vou falar muito agora, que você, FILHA DA PUTA, me fez chorar. mas te amo demais. pode ter certeza que mesmo longe, to cuidando de você.”

A primeira, depois de um mês. A dor veio como se nunca tivesse ido embora. E nós conversamos. As lágrimas vieram naturalmente. Suas palavras ainda me fazem chorar, mas eu só posso te agradecer, Vi. Por ter cuidado de mim por tanto tempo, mesmo tão longe. Eu nunca achei que fosse necessário, mas você me provou o contrário. Sua voz, seu jeito de falar, risada, carisma, paciência e todo o amor que emana sempre que eu falo contigo… eu sinto falta de tudo e mais um pouco. Nada disso mudou. Em algum momento da noite eu deixei de te responder, porque não dava mais. Eu voltei a me sabotar, porque nesse lance de gostar de alguém eu ainda sou muito imatura. Não to acostumada a sentir isso por alguém com um coração tão bom, não. Me desculpa.

Eu sei que vamos nos ver por aí, em algum lugar, e o coração aqui vai voltar a bater forte. Até lá, eu vou continuar vivendo. Do jeitinho que você me ensinou e incentivou. Eu vou amar vocês pra sempre, Vi. Você sabe disso, né?

Obrigada por tudo, sempre.

Maybe the next time, will be the right time…

 

PS:

(Escrito em 31/ago/2014)

“(…) Se pode me prometer alguma coisa, prometa que sempre que se sentir triste ou insegura ou perder completamente a fé vai tentar olhar para si mesma com meus olhos. Obrigado pela honra de ter você como esposa, eu não tenho o que lamentar, tive muita sorte. Você foi a minha vida Holly, mas eu sou apenas um capítulo da sua, haverá mais eu prometo portanto aqui vai o meu grande conselho: não tenha medo de se apaixonar de novo, fique atenta àquele sinal de que não haverá mais nada igual.
P.S. Eu sempre vou te amar.” – do filme PS: Eu Te Amo

Com uma dose de melancolia e nostalgia, hoje eu senti saudades da menina que fui antes de conhecer quem me mudou pra sempre. Uma verdade universal é que a dor de um amor perdido passa, mas as saudades não. E eu continuo nesse ciclo sem fim, de sentir saudades de algo que se foi. Umas semanas atrás, eu escrevi numa agenda velha sobre a dor sentida numa pós recuperação de término. Eu vagueei sobre não poder falar sobre isso com ninguém, sobre a dor ser mais amena, mas não menos importante. É pior que a dor aguda e devastadora dos primeiros dias, pois nos primeiros dias o sofrimento é justificável. Depois de semanas e meses, a gente não sabe como lidar com a dorzinha que queima lá no peito, porque na teoria não deveria doer mais. E se eu posso falar uma verdade aqui, é que eu desaprendi a sentir saudades e com certeza não sei lidar com a que sinto de você. Todos os meus dias são coloridos por uma parte minha que deseja estar bem pra quando você voltar… E eu me esqueço frequentemente que você não volta. Que não vamos nos ver mais. Todos os dias eu sinto vontade de te escrever um email, despretensioso claro, só pra saber como você está, ou então dizer algo sobre a falta que eu senti durante esse tempo, mas que (apesar de tudo) me mantive de pé, como você queria que eu fizesse. Veja só, eu que prometi não te escrever mais nada, tô aqui… Eu lembro o quanto você gostava de ler o que eu escrevia mesmo que fosse algo ruim ou na maioria das vezes depressivo. Eu sinto saudades do seu incentivo, e penso que se um dia eu vir a escrever um livro, você será a pessoa a quem eu vou dedicar todas as palavras. É estranho e injusto o quão temos que superar as coisas num período tão curto de tempo, e a forma como não podemos nos expressar pois já se passaram 4 meses que eu não te vejo, muitas semanas que não nos falamos, e você não foi a melhor pessoa do mundo, mas o fato é que eu não ligo de você ter sido um babaca, de toda a distância ou qualquer outra coisa, sabe? Eu ligo de ter te perdido, de não saber mais como você está, de não ter mais coragem de te procurar pra manter contato. É injusto e cruel a forma como é tirado de você o direito de saber como o ex (namorado, amigo, amante) está. Digo, eu nem sei se você continua vivo, ou com todas as partes do corpo inteiras, mas passamos um ano juntos, onde qualquer gripe me fazia morrer de preocupação e essa diferença é devastadora, sabe?

E eu te pedi desculpas durante muito tempo, por ter me apaixonado de novo. Num tom meio poético, claro. Eu não quis me apaixonar. Aliás, tentei e me esforcei pra que isso não acontecesse, mas foi mais forte que eu. Eu fico pensando se você está apaixonado também, se ela é linda e se ela é mais sua amiga do que eu fui… Lembro que uma das últimas coisas que você me disse, foi sobre eu me apaixonar de novo, e que desejava que ele fosse “mais intenso” do que você foi, mais romântico, e torcia para que ele atendesse todas as minhas expectativas por que você não tinha conseguido isso e pra você esse era o motivo de todos os erros. Olha, não sei dizer se ele atende a todas as minhas expectativas, mas ele é tranquilo. Nosso amor é, de certa forma, muito mais tranquilo que o que tivemos. Quando eu te conheci, foi tudo muito rápido e bonito. Foi uma chama num papel, desses que pega fogo rápido, sabe? Nós nos esforçamos juntos pra que o fogo continuasse queimando, mas não tivemos sincronia pra isso. Eu sinto que com o Gabriel é diferente. Eu to mais tranquila em relação ao futuro, pois não espero nada dele, não mais. Talvez daqui uns meses eu sofra com a distância, e te escreva de novo com as saudades nostálgicas de um tempo onde as coisas eram mais fáceis… O Gabriel sempre fala pra mim que isso é ruim, que eu devo viver o presente… e eu até concordo, mas… não tem nada nesse presente que me enalteça, que me faça dormir nas nuvens, entende? Então eu vivo o futuro, esperando que algo assim aconteça, que me tire do chão de novo, como quando você disse meu nome completo e me pediu em namoro, numa madrugada aleatória. Eu fico frequentemente esperando pelo sinal de que “nada mais será igual”, quer isso seja bom ou não. Eu fico triste em pensar que não sou mais quem você conheceu, ou a pessoa por quem você se apaixonou. Eu continuo com as minhas crises de domingo (eu lembro que você ficava doido com todas elas! eu sinto falta de você tentando me animar hahahha), eu continuo sofrendo com a psicologia, com o dilema do Julio, com os problemas do Vinnie, mas eu não sou mais a moça viva e crente nos dias melhores. E o tempo todo tenho essa impressão de que se nos reencontrássemos hoje, você não se apaixonaria por mim.

Em momentos como esse, eu posso até entender o nosso final.

 

Eu não sei lidar

(Escrito em 20-jul-2014 – 2 anos atrás)

Eu não lembro do nosso último beijo, mas lembro perfeitamente do primeiro. Eu lembro das mordidas fortes, da total falta de sincronia e de como aquele beijo não pôde definir um amor que nasceria nas semanas seguintes.

Não faço a minima ideia do que pensei no nosso último beijo. Do que senti. Não sabia de forma alguma que seria o último. Também não lembro muito bem da última vez que eu o vi pessoalmente. Nossos olhares se cruzaram e eu com desdém, não achei que seria a última vez. Talvez seja esse o nosso problema, né? Viver como se os outros beijos e outros olhares fossem continuar existindo.

Eu lembro perfeitamente bem da primeira vez que me dei conta que não nos beijaríamos mais. Eu chorei, e naquele momento, você não era mais meu, e eu não era mais sua. Percebi que uma nova vida começava, sem você, e que ela seria completamente vazia.

Eu penso que não há nada mais esquisito que essa sensação de que não nos veremos mais. A lembrança da nossa última vez juntos é um misto de prazer e dor. Será que teríamos feito diferente se soubéssemos do rumo que as coisas tomariam? Eu tento entender todos os dias a razão de tudo e me sinto um tanto quanto boba por ter acreditado que as coisas dariam certo dessa vez.

Eu lembro uma vez, que você me mandou um textinho bonito pelo Facebook, dizendo que cada beijo que você me dava antes de partir era um “até logo, eu te amo” pois você me amava  tanto, e odiava (assim como eu) os 44km que nos separava. E dói saber que em nossa despedida conturbada, não ouve o “até logo, eu te amo” que se fazia presente em todos os beijos daquele farol. E você não é mais meu, e eu não sou mais sua. Como dói escrever essas palavras. Eu fico recitando dia após dia, até que eu consiga entender finalmente que é isso. Daqui pra frente, vai ser isso. Não somos mais do que fomos antes daquele primeiro beijo. Dois desconhecidos. Como viver sabendo que alguém veio, modificou tudo em você, te transformou e simplesmente partiu?

A parte mais dolorosa de um término, não é de jeito nenhum a dor aguda e devastadora dos primeiros dias. A pior dor é aquela que vem depois de semanas e meses, quando você nem mais lembra do rosto da pessoa.  Ela é leve e amarga com uma mistura de saudades e nostalgia, cujo efeito você sabe que vai continuar ativo por dias e meses sem que nada possa ser feito. A dor dos primeiros dias se resolve ligando bêbada de madrugada, perdendo as estribeiras e todas as bobagens que lhe são permitidas num pós término recente (e eu garanto que fiz todas). Mas quando um tempo passa, isso é cruelmente tirado de nós. Não há filmes e músicas sobre como lidar com essa parte. Eu, depois de 3 namoros, ainda não sei lidar.

Eu me arrependo de tanta coisa que fiz com você, por você e sem você em todo esse tempo que passamos juntos e principalmente no tempo que passamos separados. Como a gente lida com essa sensação que queima e mata aos poucos?

Eu sinto sua falta nessas horas. Você sempre tinha tantas respostas…

“Não quero sonhos com hora marcada pra acabar”  – essa frase me diz tanto. Eu repito o tempo todo.

Não quero sonhos com hora marcada pra acabar.

Não mais.

Nunca mais.