Cabeça cheia e coração vazio.

O titulo desse post eu fiz em meados de 2013. No ápice de mais uma crise “dificilima” iguais a todas as outras, nas quais eu não consegui fazer outra coisa pra modificar as coisas a não ser… escrever.

Pois é. Em 2014, o que mudou? A crise, obviamente, não é a mesma. Eu, menos ainda. Situações, pessoas, vivências… Tudo diferente, e no entanto, me peguei lendo sobre algo que ocorreu ano passado e ainda assim, consegui me identificar. Foi como se eu lesse e pensasse: “Hey! Isso dai… sou eu! Tudo que essa moça escreve, fala, pensa, sonha, sou eu HOJE!”

E o que fazer quando você vê que seus sentimentos e dores são tão repetitivos, que mesmo em uma situação diferente, você sente tudo igual? Como uma boa (ou quase boa) estudante de psicologia, busquei nesses dias conforto em artigos, livros, e numa ciência que eu certamente não domino, mas que me conforta todos os dias. E hoje, ao tentar ler os livros, artigos e me aprofundar na tal ciência, simplesmente não veio nenhuma inspiração e nenhuma perspectiva em melhorar a angústia que me consome, e eu só conseguia pensar em escrever.

Quando fiz esse blog, não falei pra ninguém, e escrevia todos os dias. Desde criança sempre tive diários, e esse virou meu diário moderno… Aos 18, 19 anos eu certamente era bem diferente do que sou hoje, e hoje lendo meus posts antigos (a maioria está no rascunho do blog) consigo identificar a profusão de coisas boas que emanava de mim, e eu ainda assim me sentia mal, tinha do que reclamar e “sofrer”. Não acho que ali foi o ápice da minha vida. Acredito que o ápice esteja ocorrendo agora, com tantas coisas, mudanças, perspectiva, mas sinto muitas saudades dessa inocência que eu nunca mais vou vivenciar. A lembrança mais forte de quando fiz esse blog, é que ele é resultado de um SMS não respondido por mim, seguido de um arrependimento de meses, e eu como boa credora do destino, acho que esse foi o ponto da minha vida que eu podia ter feito diferente. Talvez hoje, eu estivesse em outro lugar. Como dizem por aí, a vida é feita de escolhas, não?

Pois bem, as escolhas que fiz durante um pouco mais de um ano ainda martelam na minha cabeça, e é difícil aceitá-las. Ao longo desses quase 22 anos fiz muitas escolhas, e de fato, não me arrependi de nenhuma. Por que então, é tão complicado seguir em frente, aceitando o que vem por aí? Lembrei ontem, de um post que fiz em 2011, quando ainda frequentava a igreja e quando o li, vi lá tudo que eu precisava ouvir estes dias. A velha história que todos nós somos uma jarra de Deus, e ao longo dos anos vamos depositando coisas ruins e Ele tenta despejar coisas boas, só que como a jarra está cheia, essas coisas boas “não chegam”. Precisamos então esvazia-la de sentimentos, mágoas e medos, pra que novas coisas provindas de Deus, surjam. O importante nessa história, não é a nomeação de Deus, mas sim o que ela quer passar. Nos livrar das coisas ruins, pra receber as coisas boas. Parece muito óbvio, mas não é. Com o passar do tempo, nos apegamos a essas coisas (que muitas vezes nem sabemos que é ruim) porque talvez, seja tudo que nos restou de um tempo que não volta. E toda mudança é ruim. Sair da zona de conforto não pode ser bom, ainda mais que não sabemos o que nos espera lá na frente. Como disse anteriormente, sou uma estudante de psicologia, e de teorias eu sei de um monte. Acho que pra mim é mais difícil ainda seguir em frente, mesmo sabendo que esse caminho é cheio de superações, bons amigos, e realizações. A dificuldade não reside no que me espera à frente, mas sim o que eu deixei pra trás. Sonhos, planos, esperança, bons amigos. E talvez hoje, eu me agarre a um passado que eu amei, mas que sem que eu percebesse, se foi. As escolhas que fiz durante 2013, me trouxeram até aqui. 2014 começou um ano conturbado, euzinha perdida, com problemas parecidos ao de 2013, só que sozinha. Das três vezes que eu errei, esse ano foi o único ano em que eu não quis errar. Eu quis fazer o certo, e toda covardia provinda de um medo de não dar conta de arcar com todas as responsabilidades, se torna em arrependimento, este do qual, eu não cito pra ninguém. Então tudo acabou, o drama, medo, mas as coisas não voltaram a ser como antes. O passado já foi pra muitos, mas eu ainda estou presa nele. E o que me resta?

Oficialmente, estou sozinha nessa.

Só não sei se dou conta.

Anúncios