O parque, as lembranças e você

Dia desses andei pelos lugares que você costumava me levar e senti no ar as mesmas coisas que sentia quando sua mão segurava a minha. Nada parecia ter mudado, além de nós dois. Estavam lá o parque, o lugar da Paulista que sempre parávamos pra nos beijar e a catraca que toda sexta feira nos viu sorrir cheio de saudades. Eles estão vazios agora que você se foi e uma atmosfera que transmite paz me diz que algo bonito aconteceu. Fico pensando se você passa por esses lugares e sente a mesma coisa.

Lembra da gente falando sobre nos esforçarmos pra que as lembranças bonitas não sumissem? Eu não sei você, mas em mim elas nunca deixaram de existir. Mesmo com todos os erros e dores, a sensação de ‘everything its gonna be alright’ continua sempre que eu penso em ti. No fundo a gente sabe que amor assim só pode significar coisa boa e eu suspiro aliviada porque o pior já passou.

Só o pior.

Fez-se mar

12/04/2015 – Oi, como vai? As coisas estão diferentes hoje. Estavam também diferentes na outra data… aquela lá. Você sabe qual. Mas hoje… não sei. Hoje parecem estar mais tranquilas. Te ligar me pareceu estranho, sabe? Sei que sua voz ainda me causa arrepios e estremecimentos de pernas, por isso não liguei. Eu to te escrevendo pra te dar o Feliz Aniversário que você merece todo ano por email e pra te desejar o dobro e mais um pouco do que desejei no de 2014. A Carol chatinha e implicante vai dizer que eu podia até te reenviar que você não ia perceber, mas a Carol chatinha não existe mais. Bom, pelo menos não pra você. Existe a Carol que a vida me permitiu que existisse contigo.  Amiga, colega, sei lá. Qualquer termo que não nos cabe, não combina, mas que usamos para que seja bonito aos olhos alheios, enfim… a Carol que tá aqui. E ela te deseja o dobro do outro email e pronto. Só isso, sem muitos clichês. Você vai rir (ou não), mas eu to numa reabilitação de clichês fortíssimas, que me impede de usar o “tudo de bom, hoje e sempre” em datas comemorativas. Agora mesmo digitando isso eu sorri, porque usei a frase semana passada e nem mesmo consegui me policiar. É, dá pra você ver que eu não mudei muita coisa.

Come back and tell me why I’m feeling like I’ve missed you all this time

Meu bem, eu não consigo acompanhar tua vida. Não dá. Você me desculpa? Eu queria ter respondido aquela mensagem que você me mandou aquele dia às 00:13, certamente bêbado, um tanto quanto sentimental e com a voz que eu tanto amava. Eu não te pedi desculpas até hoje. Pois me desculpe. Eu não pude te responder e nem consigo mais te acompanhar porque dói, dói muito. E preferi me afastar de tudo que seja teu ou que me lembre você. Machuca, é ruim, mas é necessário, né? A marca que tu deixou aqui foi grande demais, não dá pra esquecer assim, fácil. Quando eu crio coragem, e penso que to bem o suficiente pra ver uma foto sua eu dou uma passadinha na outra rede social e fico feliz ao ver que você encontrou outra pessoa e está bem. Ah, eu não encontrei ninguém… ainda. E não estou a procura não. Por incrível que pareça, eu to feliz solteira. Lembra aquele dia que conversamos, e você disse que eu precisava de um tempo pra mim mesma? É, eu precisava mesmo. Queria até te agradecer por isso. Por todas as palavras que você disse no tempo em que ficamos juntos. Eu as lembro até hoje e uso como incentivo pra seguir em frente. Esses dias inclusive, eu tive um momento difícil e usei como conforto uma lembrança sua que nunca existiu. Me perdoe a liberdade, mas você continua beijando bem e se é que é possível, fica mais apaixonante ainda nos meus sonhos. Obrigada por continuar existindo dentro de mim. Provavelmente esse é um email que nunca vai ser enviado, então se um dia você ler: me perdoa? Por não ter coragem de enviar ou por não ter tido coragem pra te responder? Você me conhece bem. Faço muito dessas coisas, mas espero que eu mude, né? Fico feliz por você, gordo, de verdade. Parabéns pelos 25 anos. Tomara que todos os seus dias sejam azuis e que seus sonhos se realizem (piiii, apitou a sirene do clichê aqui, melhor eu parar). Eu te amo gordinho. Parabéns.

É tarde eu sei…

Eu lembro de como eu encaixava certinho no seu peito, e como nunca conseguimos dormir um encostado no outro porque sempre fomos arianos individualistas e espaçosos. Eu lembro do seu cheiro ao sair do banho, dos nossos cafés da manhã e toda rotina que eu tanto reclamava, mas que sem ela hoje me sinto perdida. Lembro da sua risada, seu jeito de me contar uma coisa e como eu sempre pude contar com seu interesse em todas as minhas histórias futeis. Lembro do seu apoio, carisma, sinceridade e sua presença. Lembro de nós dois juntos, do seu beijo, e do sexo que fazíamos tão bem. Lembro das mensagens diárias de bom dia, das nossas ligações… Eu lembro da nossa primeira viagem.. e da última. Eu lembro da única vez de minha vida que eu quis viver pra sempre, porque eu te amava muito e uma vida inteira não seria suficiente. Lembro de te desejar dia e noite, odiar as segundas feiras e todos os 44km que nos separava. Lembro dos beijos na testa, dos mimimi’s, dos bebês que teriamos tido e do casamento que já estava todo planejado. Ficamos juntos por 500 e tantos dias, e eu te amei por cada instante, do momento em que te conheci até agora, escrevendo tudo isso. Eu fiz promessas e besteiras. Sei que fiz, amor. Tentei te esquecer de maneiras loucas, até entender que não somos mais. A dor amenizou. Ela passou a ser parte constante dos meus dias, mas deixou de ser insuportável. E saber que o espaço esquerdo da tua cama não é mais meu, não machuca. Eu te amei na pureza, e continuo te amando naquilo que fomos.

Durante dias, essa página de editar ficou aberta. Não fechei por medo de perder uma parte de nós, que ainda vivia em mim. Não postei porque não queria que o adeus fosse verbalizado. Você esteve por dias, presente aqui. Foi a minha forma irracional e boba de te trazer pra perto… Pensava que te eternizando nas palavras, nos manteríamos unidos. E eu pensei em mil maneiras de te dizer o quão a sua falta se fez presente nesse quase um mês sem te ver. Em todos os caras errados que eu conheci, e principalmente nos caras certos. Eu descobri ao conhece-los, que não importa o quão impressionante sejam suas conversas, feitos ou beleza, nada supera a sua simplicidade, riso e a nossa facilidade de estarmos juntos. E eu pensei nisso durante muito tempo, até mesmo quando você disse que estava com outras garotas, e que permanecia feliz. Algo mudou, sabe? Não doeu o quanto achei que doeria… Você merecia isso.

Eu guardo em mim um dos últimos emails que você me enviou. A frase: “Você é maravilhosa! Eu te amo tanto!” ecoa e causa quase uma dor física, mas eu continuo relendo com a certeza que foi muito bom cada segundo ao seu lado. E agradeço cada lembrança linda que me traz você de volta por 2 minutos, porque a saudades aperta, aperta muito amor. São as lembranças que me trazem você de volta. Nem se eu quisesse poderia me livrar delas. Continuo torcendo por você, por sua felicidade e torcendo para que um dia cada mágoa instaurada em nós dois vá embora e que a gente possa lembrar um do outro com carinho. Vou continuar torcendo. Eu prometo.

* Originalmente escrito em 3 de junho de 2014

Fazem oito meses que eu escrevi cada uma dessas 638 palavras. Nunca enviei nenhuma delas, mas algo me diz que você sempre soube. Oito meses e eu ainda entendo e sinto cada verso e frase contida aqui. É janeiro de 2015 e eu continuo te desejando todas as coisas boas do mundo. A vida aqui segue tranquila mesmo com sua ausência. Eu te guardo comigo porque coisas boas a gente mantêm e as ruins a gente deixa pra lá, lembra? Espero que você continue feliz e desculpe a demora… Eu lembro como você gostava de ler o que eu escrevia. Eu nunca soube se era porque me amava ou porque gostava mesmo, mas eu continuo escrevendo. Tem mais outros três muito bonitos escritos pra ti aqui no rascunho. Espero ter coragem de enviar e que um dia você leia todos eles. Saudades, Carol.