M. – You fill my empty soul with colour

Você tem essa coisa meio dividida entre ser o homem dos meus sonhos, e aquele cuja presença eu não quero por perto nunca mais. Você me confunde com seus sinais, seus risos bagunçados, todas as músicas que você me mostra e que fazem com que eu me apaixone de novo, de novo e de novo. E o tempo todo eu fico tentando me convencer de que fiz o certo ao te deixar, mas minha razão não permanece tempo suficiente pra eu admitir que você não seria aquele que eu me casaria, cujos sonhos seriam compartilhados às 2am, numa cama quentinha com risadas e chocolate quente. E todos os planos que eu fiz durante minhas voltas pra casa, quando eu extasiada de felicidade via que podia ser sim você, foram embora. Por medo. Em uma parte daquela noite de quarta-feira, em que bebíamos feito adolescentes inconsequentes, eu descobri que podia ser você, mas que não podia de jeito algum ser você. Você me roubaria e me traria de volta. Você seria aquele que me transformaria numa cuja identidade eu não estava pronta pra viver. No auge dos meus 20 anos, eu não estava pronta. É estranho definir o amor em algo tão abstrato como uma lembrança, mas o nosso amor esteve presente naquele dia em que eu fiquei bêbada, falei mil coisas absurdas e te pedi por um casamento que eventualmente não teríamos. Eu não sabia que terminaríamos semanas depois, mas naquele dia com todo meu coração eu quis seguir vivendo esse sonho diário que era poder compartilhar da sua presença. E hoje parece tão bobo, sabe? Faz uns 3 dias que terminamos e tudo parece tão banal e desnecessário. Eu não consigo tirar da minha cabeça aquele “Amores Imperfeitos” do Skank que tu me mandou, e não consigo não pensar que você foi tão bom pra mim que eu destruí tudo por medo de não dar conta. Eu quis seguir te amando, e poder falar pra você que te amava, porque eu deveria ter dito durante todas essas semanas.

“Sinto muito se não fui seu mais raro amor”, mas se não for tarde demais…

Eu te amei numa profusão de sentimentos, confusões, dores e risadas. Como eu queria poder rir com você sem que os pensamentos sobre o amanhã invadam e me assustem de novo… Queria poder ser aquela que te trás paz e que seja apresentada a sua mãe, mas não dou conta disso tudo. Desculpa. É clichê, mas eu sinto mesmo que você foi a pessoa certa na hora errada, e não sei se teremos algum dia uma hora certa, mas foi maravilhoso compartilhar esses dias e semanas com você. Contrariando meu bom senso, orgulho e tudo aquilo que eu te falei da última vez… Eu realmente te amo. Desculpe pelo atraso ao te dizer isso. Devia ter dito enquanto você era meu.

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Nota: Escrevi esse post em meados de 2012, três anos atrás. Fui reler hoje e me surpreendi. É injusto como a gente esquece das coisas quando (teoricamente) supera, né? Eu e o M. continuamos amigos, mesmo com todos os contras. Em Julho do ano passado ele me mandou uma mensagem…

Mas a vida segue. Seguiu em 2012 quando nos separamos e continua seguindo, dia após dia. Daqui a 30 anos com certeza teremos coisas bonitas pra contar, juntos ou não. E no final, é isso que faz toda diferença do mundo.