I.V

 

(Escrito em 23/mar/2015) 

Nos conhecemos em meados de 2011, e foi um dia só. Você era noivo, e me deu a carona mais maluca que eu já tive. Nós fomos parar em Itaquaquecetuba e eu ainda nem sei pronunciar direito o nome desse lugar. A verdade é que eu nunca imaginei que a gente fosse se reencontrar depois desse dia. Sabe aquelas pessoas que tu conhece e são muito legais, mas o lugar delas não é do seu lado?

Nesses anos que passaram muita coisa aconteceu conosco. Tu terminou o noivado e começou a namorar. Eu terminei um namoro, namorei de novo, terminei…

Você reapareceu na minha vida. Solteiro. Um friozinho na barriga começou a aparecer sempre que tu mandava alguma mensagem…

E aí nós nos vimos em uma quinta-feira de chuva. Eu me arrumei como uma menina e esqueci completamente que você já é um homem feito.

Foi tão bonito ouvir você dizendo meu nome. E nossa despedida foi tranquila e doce.

Mas você mandou uma mensagem no mesmo dia, e depois mandou outra, e mais outra… e a gente continuou a conversar. A vontade de te ver de novo já doía e esmagava meu estomago de ansiedade.

Naquela sexta-feira você estava mais lindo ainda de pijama e eu amei ouvir todas as suas histórias. E não, você não tava fazendo análise comigo, como disse mil vezes entre pedidos de desculpas e “falo demais né? preciso parar”. Eu não conseguia parar de sorrir sempre que tua voz ficava calma, ou saia um pouco do sotaque carioca/capixaba em uma frase qualquer…

Foi a sensação de me encontrar em alguém totalmente perdido, tanto quanto eu. Dois corações partidos, juntos.

E hoje eu só posso agradecer… Por assistir meu filme favorito comigo, e me deixar dormir no seu peito. Por não ligar de ser acordado no meio da madrugada (motivos sérios, não? rs). Por almoçarmos juntos. Por dividir o bec, a brisa e a cerveja. Por ter estado lá, num dia dificil e transformado todos meus dramas em fáceis. Tudo fica fácil contigo aqui.

Obrigada, obrigada, obrigada.

PS: desculpa a bagunça!

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Em junho do mesmo ano ele se mudou pro ES, e levou uma parte minha em sua bagagem de vida. Nosso último dia juntos foi o último dia dele em São Paulo e algo em mim nunca mais foi o mesmo. Dias atrás eu criei coragem e mandei uma mensagem que falava 2% de tudo que eu quis ter dito nesses meses de distancia maluca.

Mas nunca mais consegui abrir o chat do facebook e ler a mensagem em resposta. 

Eu sinto que ele é uma parte da minha vida que tinha que dar certo. Os desencontros desse destino louco e cruel nos fizeram distantes – diversas vezes, inclusive agora, mas eu ainda o sinto como parte minha. 

Quem sabe um dia, daqui mais uns 3, 4 anos, não voltemos a nos reencontrar por ai? 

Por enquanto ainda me é muito doloroso lembrar que não seremos durante um tempo. Eu sinto falta, mas entendo que a vida precisa dar suas voltas até você voltar pra mim. 

E eu espero. 

Mais uma vez: Desculpa a bagunça – ainda que agora ela seja a distancia. 

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