PS:

(Escrito em 31/ago/2014)

“(…) Se pode me prometer alguma coisa, prometa que sempre que se sentir triste ou insegura ou perder completamente a fé vai tentar olhar para si mesma com meus olhos. Obrigado pela honra de ter você como esposa, eu não tenho o que lamentar, tive muita sorte. Você foi a minha vida Holly, mas eu sou apenas um capítulo da sua, haverá mais eu prometo portanto aqui vai o meu grande conselho: não tenha medo de se apaixonar de novo, fique atenta àquele sinal de que não haverá mais nada igual.
P.S. Eu sempre vou te amar.” – do filme PS: Eu Te Amo

Com uma dose de melancolia e nostalgia, hoje eu senti saudades da menina que fui antes de conhecer quem me mudou pra sempre. Uma verdade universal é que a dor de um amor perdido passa, mas as saudades não. E eu continuo nesse ciclo sem fim, de sentir saudades de algo que se foi. Umas semanas atrás, eu escrevi numa agenda velha sobre a dor sentida numa pós recuperação de término. Eu vagueei sobre não poder falar sobre isso com ninguém, sobre a dor ser mais amena, mas não menos importante. É pior que a dor aguda e devastadora dos primeiros dias, pois nos primeiros dias o sofrimento é justificável. Depois de semanas e meses, a gente não sabe como lidar com a dorzinha que queima lá no peito, porque na teoria não deveria doer mais. E se eu posso falar uma verdade aqui, é que eu desaprendi a sentir saudades e com certeza não sei lidar com a que sinto de você. Todos os meus dias são coloridos por uma parte minha que deseja estar bem pra quando você voltar… E eu me esqueço frequentemente que você não volta. Que não vamos nos ver mais. Todos os dias eu sinto vontade de te escrever um email, despretensioso claro, só pra saber como você está, ou então dizer algo sobre a falta que eu senti durante esse tempo, mas que (apesar de tudo) me mantive de pé, como você queria que eu fizesse. Veja só, eu que prometi não te escrever mais nada, tô aqui… Eu lembro o quanto você gostava de ler o que eu escrevia mesmo que fosse algo ruim ou na maioria das vezes depressivo. Eu sinto saudades do seu incentivo, e penso que se um dia eu vir a escrever um livro, você será a pessoa a quem eu vou dedicar todas as palavras. É estranho e injusto o quão temos que superar as coisas num período tão curto de tempo, e a forma como não podemos nos expressar pois já se passaram 4 meses que eu não te vejo, muitas semanas que não nos falamos, e você não foi a melhor pessoa do mundo, mas o fato é que eu não ligo de você ter sido um babaca, de toda a distância ou qualquer outra coisa, sabe? Eu ligo de ter te perdido, de não saber mais como você está, de não ter mais coragem de te procurar pra manter contato. É injusto e cruel a forma como é tirado de você o direito de saber como o ex (namorado, amigo, amante) está. Digo, eu nem sei se você continua vivo, ou com todas as partes do corpo inteiras, mas passamos um ano juntos, onde qualquer gripe me fazia morrer de preocupação e essa diferença é devastadora, sabe?

E eu te pedi desculpas durante muito tempo, por ter me apaixonado de novo. Num tom meio poético, claro. Eu não quis me apaixonar. Aliás, tentei e me esforcei pra que isso não acontecesse, mas foi mais forte que eu. Eu fico pensando se você está apaixonado também, se ela é linda e se ela é mais sua amiga do que eu fui… Lembro que uma das últimas coisas que você me disse, foi sobre eu me apaixonar de novo, e que desejava que ele fosse “mais intenso” do que você foi, mais romântico, e torcia para que ele atendesse todas as minhas expectativas por que você não tinha conseguido isso e pra você esse era o motivo de todos os erros. Olha, não sei dizer se ele atende a todas as minhas expectativas, mas ele é tranquilo. Nosso amor é, de certa forma, muito mais tranquilo que o que tivemos. Quando eu te conheci, foi tudo muito rápido e bonito. Foi uma chama num papel, desses que pega fogo rápido, sabe? Nós nos esforçamos juntos pra que o fogo continuasse queimando, mas não tivemos sincronia pra isso. Eu sinto que com o Gabriel é diferente. Eu to mais tranquila em relação ao futuro, pois não espero nada dele, não mais. Talvez daqui uns meses eu sofra com a distância, e te escreva de novo com as saudades nostálgicas de um tempo onde as coisas eram mais fáceis… O Gabriel sempre fala pra mim que isso é ruim, que eu devo viver o presente… e eu até concordo, mas… não tem nada nesse presente que me enalteça, que me faça dormir nas nuvens, entende? Então eu vivo o futuro, esperando que algo assim aconteça, que me tire do chão de novo, como quando você disse meu nome completo e me pediu em namoro, numa madrugada aleatória. Eu fico frequentemente esperando pelo sinal de que “nada mais será igual”, quer isso seja bom ou não. Eu fico triste em pensar que não sou mais quem você conheceu, ou a pessoa por quem você se apaixonou. Eu continuo com as minhas crises de domingo (eu lembro que você ficava doido com todas elas! eu sinto falta de você tentando me animar hahahha), eu continuo sofrendo com a psicologia, com o dilema do Julio, com os problemas do Vinnie, mas eu não sou mais a moça viva e crente nos dias melhores. E o tempo todo tenho essa impressão de que se nos reencontrássemos hoje, você não se apaixonaria por mim.

Em momentos como esse, eu posso até entender o nosso final.

 

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Eu não sei lidar

(Escrito em 20-jul-2014 – 2 anos atrás)

Eu não lembro do nosso último beijo, mas lembro perfeitamente do primeiro. Eu lembro das mordidas fortes, da total falta de sincronia e de como aquele beijo não pôde definir um amor que nasceria nas semanas seguintes.

Não faço a minima ideia do que pensei no nosso último beijo. Do que senti. Não sabia de forma alguma que seria o último. Também não lembro muito bem da última vez que eu o vi pessoalmente. Nossos olhares se cruzaram e eu com desdém, não achei que seria a última vez. Talvez seja esse o nosso problema, né? Viver como se os outros beijos e outros olhares fossem continuar existindo.

Eu lembro perfeitamente bem da primeira vez que me dei conta que não nos beijaríamos mais. Eu chorei, e naquele momento, você não era mais meu, e eu não era mais sua. Percebi que uma nova vida começava, sem você, e que ela seria completamente vazia.

Eu penso que não há nada mais esquisito que essa sensação de que não nos veremos mais. A lembrança da nossa última vez juntos é um misto de prazer e dor. Será que teríamos feito diferente se soubéssemos do rumo que as coisas tomariam? Eu tento entender todos os dias a razão de tudo e me sinto um tanto quanto boba por ter acreditado que as coisas dariam certo dessa vez.

Eu lembro uma vez, que você me mandou um textinho bonito pelo Facebook, dizendo que cada beijo que você me dava antes de partir era um “até logo, eu te amo” pois você me amava  tanto, e odiava (assim como eu) os 44km que nos separava. E dói saber que em nossa despedida conturbada, não ouve o “até logo, eu te amo” que se fazia presente em todos os beijos daquele farol. E você não é mais meu, e eu não sou mais sua. Como dói escrever essas palavras. Eu fico recitando dia após dia, até que eu consiga entender finalmente que é isso. Daqui pra frente, vai ser isso. Não somos mais do que fomos antes daquele primeiro beijo. Dois desconhecidos. Como viver sabendo que alguém veio, modificou tudo em você, te transformou e simplesmente partiu?

A parte mais dolorosa de um término, não é de jeito nenhum a dor aguda e devastadora dos primeiros dias. A pior dor é aquela que vem depois de semanas e meses, quando você nem mais lembra do rosto da pessoa.  Ela é leve e amarga com uma mistura de saudades e nostalgia, cujo efeito você sabe que vai continuar ativo por dias e meses sem que nada possa ser feito. A dor dos primeiros dias se resolve ligando bêbada de madrugada, perdendo as estribeiras e todas as bobagens que lhe são permitidas num pós término recente (e eu garanto que fiz todas). Mas quando um tempo passa, isso é cruelmente tirado de nós. Não há filmes e músicas sobre como lidar com essa parte. Eu, depois de 3 namoros, ainda não sei lidar.

Eu me arrependo de tanta coisa que fiz com você, por você e sem você em todo esse tempo que passamos juntos e principalmente no tempo que passamos separados. Como a gente lida com essa sensação que queima e mata aos poucos?

Eu sinto sua falta nessas horas. Você sempre tinha tantas respostas…

“Não quero sonhos com hora marcada pra acabar”  – essa frase me diz tanto. Eu repito o tempo todo.

Não quero sonhos com hora marcada pra acabar.

Não mais.

Nunca mais.

Anjo

Anjo 1. Criatura celestial e puramente espiritual, inteligente, imortal,superior ao ser humano e mensageira entre Deus e os homens.//s.sc.(o) 
2. Fig. Pessoa cheia de virtudes.
3.Fig. Criança acomodada, educada

 

Queria ter tido consciência do que você representaria pra mim durante todos os esses anos, quando te conheci em 2009. Das três vezes que te vi, queria poder ter te dito um “obrigado” mais sincero, mais forte…

A primeira vez que eu o vi, foi depois da primeira dose de contini que eu tomei na vida. Entrei no ônibus, e lá estava ele, sentado, com o espaço vago ao seu lado. Eu sentei, e começamos a conversar. Não precisei falar muito, porque você logo foi falando as coisas que eu lembraria pelos próximos 5 anos, incessantemente. Você falou de Deus, disse para eu confiar Nele. “Coloque suas dúvidas na caixinha de Deus, deixe nas mãos Dele, que Ele resolverá para você”. Você me disse sobre o amor. Entendia minhas dúvidas, e dizia que eu era nova. “Muitas coisas virão, respira fundo e aceite essas que se fazem presente contigo hoje, você será feliz”. E você me contou a história do seu primeiro amor… 7 anos com ela, e um fim inesperado. Você ainda sofria, mas confiava que as coisas seguiam o rumo certo, na hora certa. Deixou nas mãos de Deus, e confiava que se fosse para vocês voltarem, vocês voltariam. “O que é nosso, volta na hora que tem que voltar”.

Na segunda vez, foi um dia após uma tentativa barata de suícidio. Você estava no mesmo lugar da primeira vez, e puta que pariu, eu não reconheci os sinais. Mais conversa e percebi pela primeira vez que não sabia seu nome ainda, mas também não perguntei. Dessa vez você falou de mim, das minhas escolhas e da vida que ia seguir de forma torta a partir daquele dia, mas que eu sobreviveria a ela. Você não usou essas palavras, óbvio, mas disse algo bem parecido com isso. E foi a primeira vez que ouvi o que me salvaria meses depois: “Quando sentir que não dá mais, que você não tem mais forças, reze e conte para Deus que você não está dando conta, que ele dará um jeito de te ajudar”. Eu demorei uns 7 meses para seguir esse conselho, porque de uma certa forma, tentei ser forte a minha maneira e… quando finalmente fiz o que tinha me dito, fico feliz em afirmar que foi uma das melhores decisões que pude tomar.

Na terceira, e última vez, foi um dia após o primeiro e único PT que dei na minha vida. Fui parar no hospital e… bom, não vem ao caso agora. Você estava novamente no mesmo lugar, e pensando nesse dia hoje, consigo ver que estava com um arzinho de despedida. Dessa vez você não falou de escolhas e amores. Você falou da minha força, da vida que viveria e falou de Deus. Na época, eu não era muito credora, mas ouvia tudo com respeito, sem saber que eu mudaria para sempre depois desses três encontros. E eu não lembro muito dessa última vez, eu já sabia da sua importancia e procurei agradecer por tudo. Não sabia que não te veria mais e se soubesse, teria agradecido por horas.

Hoje, passaram-se 5 anos. Eu nem lembro seu rosto, mas ainda assim, lembro de todas suas palavras. Devo dizer que é muito mais dificil seguir em frente sem que haja alguém te incentivando a isso. Ser adulta, definitivamente não é fácil. Mas, lembrar de toda essa história surreal, me faz ter um pouquinho mais de fé. Sei que os dias dificeis estão por vir, e também sei exatamente do que devo fazer se não der conta de tudo isso, mas eu só… tenho medo. Aqueles foram meus piores dias, e a dor ainda se faz presente. Olha, eu sei que deveria ser forte, eu sei que 5 anos atrás você me disse para ser, mas eu não consigo. Me desculpe. Prometo sim, tentar de novo a ser a moça que você quis que eu fosse. Prometo confiar nas decisões de Deus e colocar todas as minhas dúvidas na “caixinha” dele. O que tiver de ser será. Prometo ler esse post sempre que me sentir perdida. Prometo lembrar de você. Prometo.

Quando eu falo de você, eu te chamo de Anjo, porque acredito de verdade que foi essa sua missão aqui comigo. “Mensageiro de Deus entre os homens” 

Obrigada por tudo. Obrigada.

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Em 11 de abril de 2014 eu escrevia tudo isso e por algum motivo louco, eu não publiquei. Sempre tive uma mania ridicula de ir nos rascunhos ler as mil coisas que eu nunca postei por vergonha, mas esse por algum motivo nunca me chamou atenção. Hoje foi um dia consideravelmente difícil. Eu sei que vou ler isso no futuro, então espero que eu esteja melhor nessa ocasião. Porque sim, hoje foi um dia fudidamente difícil. Tem sido difícil todos os dias. Há muito medo pela frente de não conseguir lidar com tanta coisa. Sei que falar com as pessoas ajudaria, mas pela primeira vez na vida eu estou enfrentando as coisas sozinha. Tem dado certo na maior parte das vezes. Eu conheço a teoria em volta de toda situação e sei que eu vou supera-la. Estudei sobre isso. O fato não é a psicologia ou o que a gente acha que sabe sobre ela. É sobre passar por uma situação cuja saída é impossível de achar (pelo menos até agora). Mas eu sei que vou superar. Em outros dias difíceis vai ser bom ler isso aqui. É incrível como eu escrevia mil vezes melhor antes. Escrevia muito mais também. Mudei tanto nesses anos que me dá até vergonha. Já fui muito mais forte e muito mais integra naquilo que eu acreditava. O que eu escrevi acima só comprova isso. “Prometo ler esse post sempre que me sentir perdida”. Bom, eu prometo cumprir essa promessa dessa vez. Ainda acredito que ele tenha sido um anjo. Que bom que isso em mim não morreu. Espero que ele esteja cuidando de mim (e se não for muito incomodo, que apareça as vezes). Lembrar dele hoje me deixou mais tranquila. 7 anos se passaram e eu não acredito na coincidência de pensar nele nessa noite. Espero que signifique algo positivo. Espero que amanhã seja melhor.