A future letter

[Escrito 09/07/2016]
Oi V. do futuro :)
Não faço ideia de quando você vai ler isso. Não mesmo. Não sei nem se vou ter coragem de enviar, mas se você receber, é porque fui louca o suficiente.
Hoje é sábado. Uma semana depois do ocorrido que mudaria nossas vidas pra sempre. Eu sei que mudamos muito depois de tudo. Fico imaginando se foi pra melhor ou pra pior. Se a lição que levamos disso tudo foi positiva ou negativa. Me pergunto se a gente ainda se fala (eu tenho quase certeza que não), e se você ainda pensa em mim…
Eu acho que eu ainda vou pensar em você.
Você foi uma coisa louca que eu nunca vou entender direito. Você entrou muito rápido na minha vida, modificou tudo e mais um pouco e assim como chegou, partiu. Naquela última noite em São Carlos eu chorei muito. Não dormi quase nada porque a perspectiva de viver uma vida pós V. era muito desafiadora. Você me ensinou um trilhão de coisas e colocar tudo em prática parecia muito assustador na hora. Confesso que ainda é. Durante muito tempo você era quase um guia pra mim. Suas ligações a noite me faziam levantar da cama, sorrir um pouco, tomar banho e viver um pouco a vida fora do meu quarto. Eu me sentia bem falando com você. Nunca deixei de sorrir mesmo quando a gente brigava. Eu sabia que podia contar contigo, e você sempre me fez muito bem, inclusive nos momentos difíceis. Então te perder e perder todo o resto foi como se uma parte minha tivesse partido pra sempre. Eu me senti nos primeiros dias totalmente incompleta. Eu sabia que teríamos que parar de nos falar uma hora ou outra. Nossas obrigações juntos tinham cessado naquele pior banho do mundo, mas foi difícil mesmo assim lidar com tudo. Meu lado emocional é traiçoeiro. Veja bem, eu soube desde muito cedo que isso ia acontecer. Sabia como eu possivelmente ficaria. Eu me preparei pra isso. Montei todas as guardas possíveis. Evitei pensamentos. Guardei tudo que eu sentia ou pudesse sentir. Mas não tem como né? Sempre fui a pessoa mais emocional que eu já conheci e você me ganhou desde o começo. Eu sabia que não poderiamos seguir em frente com isso, Vi. Que isso não seria bom pra você, pra mim e pra mais ninguém. Eu soube disso desde o dia em que te liguei chorando no meio do meu almoço. Mas eu queria mais que tudo. E sua falta aqui torna tudo mais intenso. Eu não sou boba, sabe? Sei que vou superar. Sei toda a teoria por volta do luto e conheço a mim mesma. Só que… não passa nunca. E olha, eu to sendo bem tonta porque só faz uma semana, mas juro que uma semana nunca demorou tanto pra passar. Eu me pergunto, se ao receber esse email eu não vou me sentir tão idiota por ter escrito essas coisas, e pensar ‘meu deus, como a Carol do passado era dramática e exagerada’. Eu tenho certeza que vou pensar algo do tipo hahaha. Mas se to escrevendo, é porque eu não quero nunca esquecer disso. Sei que não vou esquecer, mas que sirva de lembrete, né?
Eu fico idealizando. E sinto falta. Já disse isso lá em cima, mas eu sinto muita falta Vi. E as pessoas me dizem o tempo todo que foi melhor assim. Mas… não seria egoismo? Foi tudo tão egoísta da nossa parte, Vi. Eu queria ter sido mais forte, já te disso isso. Eu vou sentir essa falta pra sempre.
Apesar de toda loucura, eu agradeço muito tudo que você fez por mim. Você é uma das pessoas mais doces que eu tive o prazer de encontrar por ai. Você sempre me fez feliz, mesmo tudo estando perdido. Me acalmou de diversas formas, se esforçou pra me conhecer e estar comigo do jeito que eu precisava, nas horas certas. Eu confio e confiei muito em você em todos os momentos. Eu amei você durante muito tempo e amo você mais do que nunca agora. Não é nada platônico. Acho que é o tipo de amor que a gente sempre vai ter por alguém que modifica tanta coisa na nossa vida. Não tem como não amar. Inclusive, não tem como não se apaixonar por você. Não convivendo contigo do jeito que eu convivi. Seu sorriso iluminava tudo, eu já disse isso? Sei que não. Mas iluminava. Pelo menos pra mim. Te ver sorrindo enquanto fazia alguma coisa besta, tipo fritar batata frita, melhorava meu dia 100%. Eu já escrevi isso em outra carta, que espero enviar em breve, mas seu beijo sempre me entristeceu porque eu sabia que era único. E sendo único, eu não encontraria em nenhum outro lugar no mundo. Uma das coisas que me mais me acalmavam nos dias de crise eram sempre seu sorriso, seu beijo e só você. Pra mim sempre foi tudo tão simbólico. Não tinha nada entre nós que fosse palpável. Não eramos amigos reais. Não tínhamos nenhum tipo de conexão sólida, então eu me agarrei a qualquer coisa com significado subjetivo que pudesse existir. Eu não devia nunca ter me apaixonado por ti, mas aconteceu. De uma forma bem sutil, devo dizer. Não é como se eu tivesse ficado louca de paixão, porque veja bem, eu estou bem sã nesse momento. Eu me apaixonei porque você sempre tinha uma solução. E sempre fazia coisas além do necessário, pelo simples fato de você ser assim. Eu acho que nunca vou conseguir entender de forma muito clara. Me desculpa por isso.
Sei que ainda vou desejar todas as coisas boas pra ti, seja lá quando você ler isso, então não vou ser repetitiva, ok? Você com certeza ainda vai estar nos meus pensamentos. Nas minhas orações e sempre que ver o céu e as estrelas, vou lembrar de nós dois no meu último dia em São Carlos. Não importa o tempo que passar.
Seja feliz Vi.
Eu amo você(s). 
Beijão,
C.
[Pensei em censurar um trilhão de coisas. Mas é ele. E ele representa muita coisa que em 5 anos de blog nunca representaram antes. A carta foi programada pelo https://www.futureme.org/ a ser enviada no dia 25/12/2016, porque eu prometi falar com ele em todos os natais da minha vida, pela eternidade. Ele sempre se preocupou com essas coisas e eu o amo muito por isso. Eu sei que jamais poderei supera-lo, mas a vida vai seguir seu curso natural. Eu agradeço todos os dias por te-lo conhecido, e aprendido tanto ao seu lado. Não foi coincidência que tenha sido ele. Ainda bem.]
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Fade

2.10.

Eu te disse que fiz uma tatuagem pra me lembrar desse 2016 difícil? Pra me lembrar da cidade que mais me viu chorar, que eu mais amei dentre todas que visitei, porque você estava lá o tempo todo…

Eu te disse que esses dias vi uma foto sua e o coração doeu menos do que o esperado?

Eu to te escrevendo hoje pra aliviar um pouquinho das saudades que eu sinto todos os dias. Eu lembro de você todas as manhãs e noites. Eu lembro das ligações, das risadas, das brigas. Eu lembro do aperto que dava cada vez que uma mensagem sua chegava por aqui, ou de ir pro Tietê morrendo de ansiedade, sabendo que eu levaria 4 horas pra te ver sorrindo naquela escada de São Carlos, mas que valeria a pena cada segundo até lá. Lembro também da última vez que peguei aquele ônibus e como foi difícil cada passo que dei. Faltava ar e eu liguei pro meu primo porque sozinha eu não conseguiria ir… Comprei tudo de inútil que podia me distrair porque eu não queria fazer aquele caminho pela última vez. Adiei o máximo. Chorei tudo que podia, mas fui. Essas memórias ainda me fazem chorar. Puta que pariu como foi difícil fazer aquele percurso de ida e mais ainda o de volta… Mas valeu a pena, né? Eu acredito que sim. Repito que te conhecer foi uma benção. Você me ensinou muito. As saudades que ficaram são consequências de algo muito bom que aconteceu.

Eu não quero te esquecer, Vi. Tenho medo de daqui um ano suas memórias não fazerem mais sentido pra mim, assim como aconteceu com os outros amores, porque você foi tão diferente. Eu tenho medo de algum dia acordar e sua lembrança não me encantar… Será que daqui uns anos seu sorriso ainda vai me fazer sorrir?

Eu não sei mais sobre quem eu sou ou quem eu fui durante o tempo em que fomos. Eu queria saber um pouco mais sobre quem eu vou ser daqui uns meses e anos. Eu te amo Vi. Isso é tudo que eu sei hoje.

“I hope for rain to wash us clean
And make a brand new start
For both our tired hearts”

Eu te amo, Vi. Nunca vou cansar de escrever isso.